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Como nasceu o Jangadeiros

Mais uma vez, o sócio Claudio Aydos relembra a história do Janga.
Sua ligação com o Clube começou aos treze anos e desde lá vive intensamente cada trecho da história do Clube. C
onvidamos a todos a saborear os seus ricos relatos

O Clube dos Jangadeiros foi fundado em 7 de dezembro de 1941, ao final de um ano em que Porto Alegre fora assolada pela maior enchente da história do rio Guaíba. A ideia de sua fundação nasceu da inspiração do Sr. Leopoldo Geyer que liderou um pequeno grupo de apreciadores da vela que residiam na zona sul e que se ressentiam da falta de um clube de vela na região.

Em novembro de 1941, Leopoldo adquiriu a chácara onde está situada a sede do continente e então saiu à procura de sócios para a criação dos Jangadeiros. No dia 7 de dezembro daquele ano foi festivamente fundado o Clube, contando já então, com 98 sócios fundadores.

Hoje, o clube tem muitos sócios e, em dezembro está completando 76 anos de profícua existência, com uma trajetória brilhante no esporte da vela, tendo conquistado, ao longo desse tempo, vários campeonatos nacionais, sul-americanos e mundiais e tendo, inclusive, participado de 7 olimpíadas. Além disso, organizou e sediou 4 campeonatos mundiais de vela, além de inúmeros sul-americanos e brasileiros.

É em função desse invejável acervo de realizações e conquistas que o Clube dos Jangadeiros é hoje, conhecido e respeitado no circuito mundial do iatismo.

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 Visionário: chácara comprada por Leopoldo Geyer para fundar o Jangadeiros

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O emocionate momento de inauguração do Janga em dezembro 1941, pelo prefeito de Porto Alegre, José Loureiro da Silva, ao final de um ano em que a capital foi assolada pela maior enchente da história do rio Guaíba

Quem te viu e quem te vê

“Tenho certeza, entretanto, que a grande maioria das pessoas que hoje caminham despreocupadamente pela nossa ilha, não tem a mais pálida ideia das dificuldades que tiveram que ser superadas. Eu, de minha parte, quando piso o seu solo, o faço quase que respeitosamente, pois sei perfeitamente o quanto de trabalho tem em cada metro
quadrado de sua área”

O sucesso do Campeonato Mundial de Snipe de 1959 provocou tal crescimento do esporte da vela no Clube dos Jangadeiros, que ficou evidente a necessidade de ampliação do seu espaço físico.
Há quase 57 anos, em dezembro de 1960, a diretoria mostrou ao Conselho Deliberativo essa necessidade, ao mesmo tempo em que alertava ser impossível crescer via aquisição das chácaras lindeiras, face aos preços exorbitantes pedidos.

Mostrou-se, então, ao Conselho que o indicado seria colocar em prática uma antiga ideia do nosso Patrono, Leopoldo Geyer, que era a construção de uma ilha. Esta solução seria o ideal, pois além de garantir a ampliação da área, proporcionaria, também, um ancoradouro com águas abrigadas para receber uma futura flotilha de barcos de oceano e cruzeiro.

Na ocasião, foi apresentado ao Conselho um primeiro esboço, muito rudimentar, de como seria a nossa ilha, acompanhado de uma bela explanação das ideias que a diretoria tinha sobre o assunto.
O Conselho entusiasmou-se com as ideias apresentadas e deu “luz verde” para que a diretoria prosseguisse com os estudos necessários para a realização desse projeto.

Então, depois de um intenso trabalho burocrático e de inúmeros contatos com técnicos e especialistas no assunto e com autoridades municipais, estaduais e da marinha, no dia 5 de abril de 1962, em uma histórica reunião extraordinária do Conselho Deliberativo, a diretoria pôde apresentar o projeto da Ilha dos Jangadeiros constituído por um dossier contendo plantas baixas, cortes e detalhes como altimetria da ilha e até uma batimetria da área atingida pela obra e seu entorno. Além disso, havia um extenso memorial descritivo e, para arrematar, uma lindíssima maquete.

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Após uma minuciosa explanação do projeto e dos questionamentos de alguns conselheiros, prontamente respondidos pela diretoria, o Conselho Deliberativo aprovou o projeto de construção da ilha, e mais, colocou-o como plano a ser seguido por todas as diretorias seguintes. Foi um dia glorioso para todos os envolvidos com a ideia da ilha.

Desse dia em diante, foram praticamente dois anos de andanças atrás de pareceres, despachos e licenças para aprovação do projeto junto aos poderes municipal, estadual e federal, além de providências administrativas e logísticas, até o início efetivo das obras, pois somente no começo de 1964 foram colocadas as primeiras pedras do enrocamento dos molhes de proteção do ancoradouro.

“Havia, na época, um pequeno grupo de sócios (que felizmente aumentava a cada semana), cujo esporte favorito, durante meses, era “jogar pedras n’agua”, ajudando os dedicados funcionários do clube a descarregar os dois batelões semanais, com 45 a 50 metros cúbicos de pedra cada”.

Enfim, depois de muito trabalho, nossa ilha ficou pronta e aí está, cada dia mais bonita, encantando a todos os que nos visitam e àqueles associados que disfrutam regularmente as belezas de nosso clube.Tenho certeza, entretanto, que a grande maioria das pessoas que hoje caminham despreocupadamente pela nossa ilha, não tem a mais pálida ideia das dificuldades que tiveram que ser superadas. Eu, de minha parte, quando piso o seu solo, o faço quase que respeitosamente, pois sei perfeitamente o quanto de trabalho tem em cada metro quadrado de sua área.

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Contagem regressiva para o XXVII Troféu Cayru

Tradicional competição promovida pelo Janga é uma homenagem ao patrono e fundador do clube, Leopoldo Geyer

Falta muito pouco para o início de uma das mais tradicionais competições de Vela de Oceano do Rio Grande do Sul: o troféu Cayru, promovido pelo Jangadeiros. O evento, que chega na sua 27ª edição, acontecerá no primeiro final de semana de outubro (7 e 8) e reunirá as classes BRA-RGS, ORC-INT, Microtoner 19 (MT 19), Bico de Proa e J24.

A largada acontece no sábado com a tradicional volta na Ilha das Pombas, por volta das 11h. No mesmo dia, haverá ainda a Regata Solitário com percurso reduzido. No domingo, às 13h, ocorre a largada do Velejaço e, às 14h, tem início as regatas barla-sota. À noite, por volta das 20h, ocorre a confraternização dos competidores com a entrega de prêmios.

Xico Freitas: “É como em Grenal, embora a gangorra possa estar pendendo um pouco para um lado, tudo pode acontecer”.

San Chico 3, do comandante Xico Freitas, levou o Troféu Cayru do ano passado

San Chico 3, do comandante Xico Freitas, levou o Troféu Cayru do ano passado

O vice comodoro-esportivo, Rodrigo Castro, vencedor do Troféu Cayru em 2011 com o barco Magia, espera uma competição disputada neste ano. “Assim como no Conesul, o Jangadeiros irá com uma flotilha forte. Há muitos barcos que estão numa fase muito boa como o San Chico 3, o Hobart e o Kamikaze. Qualquer competidor tem chances de vencer”, analisa.

Comandante do San Chico 3 e vencedor da última edição do troféu, Xico Freitas também não vê favoritos na disputa. “É como em Grenal, embora a gangorra possa estar pendendo um pouco para um lado, tudo pode acontecer. Há ótimas tripulações e barcos muito bem ajustados, o que mostra o alto nível técnico que nos encontramos. Estamos bem preparados, entrosados e vamos com tudo”, afirma Xico.

Da mesma forma, a tripulação do Kamikaze, do comandante Hilton Piccolo, está pronta para mais um Cayru. “É uma regata marcante, tradicional e divertida pelo percurso longo que possui. Estamos bem preparados mas, independente de resultado, velejamos entre amigos e por prazer. Gosto de dizer que levamos a sério a brincadeira”, diz Piccolo.

Barcos do clube recebem atenção especial

O conforto dos associados e a preservação do patrimônio do clube são preocupações constantes da Comodoria; questões que norteiam investimentos em obras e melhorias e que puderam ser avaliados a partir da consulta aos sócios, ainda em 2012. As reformas das churrasqueiras e dos quiosques, o novo trapiche, os reparos na ponte e o novo sistema digital de acesso à Ilha são alguns exemplos do que vem sendo feito para atender às demandas de quem contribui mensalmente com o Jangadeiros.

Outra ação que merece destaque é a reforma dos barcos do Clube. Tanto o Leopoldo Geyer quanto o Mestre Dorival ganharam uma atenção especial nas últimas semanas. O primeiro está passando por uma reforma interna completa, com renovação da movelaria, da cozinha e do banheiro. Já o Mestre Dorival recebeu reparos no motor e outros pequenos ajustes em sua mecânica. “Estas melhorias aumentam a eficiência do nosso trabalho, além de dar mais conforto dentro dos barcos”, pondera o funcionário Marcelo, marinheiro do Porto do Jangadeiros.