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Como nasceu a Ilha dos Jangadeiros

A ideia da implantação da Ilha dos Jangadeiros surgiu ainda na década de 40, quando Leopoldo Geyer publicou artigo na revista Yachting Brasileiro com uma perspectiva da futura ilha que seria necessária para abrigar barcos de maior porte, sujeitos à fúria do Minuano, o forte e frio vento que varre o rio Guaíba, especialmente nos meses de inverno e início da primavera.

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Até o início dos anos 60 a Ilha era apenas uma idéia até que Geraldo Tollens Linck, comodoro na época, começou a trabalhar forte pelo projeto. Neste momento dois importantes personagens tornam possível o sonho do patrono Leopoldo Geyer na construção da Ilha dos Jangadeiros. Foram quase três décadas de muito empenho e de campanhas solidárias que uniram inúmeros sócios em busca de um objetivo comum: tornar realidade o que é hoje o maior patrimônio social, de lazer e do esporte de vela do clube.  Nesta primeira etapa, que se iniciou em 1962, a Comissão para Construção da Ilha dos Jangadeiros era formada por Edwin Hennig, Edgar Siegmann, Cláudio Aydos, Edmundo Soares, Kurt Keller, Rodolfo Ahrons e pelo Comodoro Geraldo Tollens Linck.

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A construção da Ilha e do ancoradouro se fazia necessário em função do reduzido espaço no Continente para abrigar os barcos de competição e garantir segurança aos veleiros em função dos ventos do Minuano. Depois do Mundial de Snipe, em 1959, o clube já não tinha como guardar tantos barcos: eram 42 snipes e pingüins, além de um Finn olímpico. Na época foi necessário construir um pavilhão de madeira, no espaço de uma cancha de tênis, para atender o crescimento do esporte de vela. A partir de uma quermesse, denominada A Festa da Vela, foi possível obter receita para construção do novo local que recebeu o nome de Pavilhão Edgar Sigmann.  Enquanto a Ilha era um projeto em andamento, os sócios curtiam a beira do Rio Guaíba com suas crianças se banhando em dias de sol e calor; os pais velejando e uma piscina ainda era um sonho distante.

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Já no final de 1967 a Iha dos Jangadeiros ganhava seu primeiro contorno e naquele momento a diversão ficava por conta de jogos de futebol em um campo improvisado de pura areia e terra. Alguns quiosques de Santa Fé garantiam a proteção do sol para as famílias que lá desfrutavam do novo ambiente ainda em fase de construção. O trabalho de dragagem, aterro e dos molhes de contenção foi evoluindo dentro das condições e possibilidades, uma vez que as dragas pertenciam ao Estado e muitas vezes estavam em operação de obras públicas. E problemas foram o que não faltou ao longo desta jornada, desde a mudança do mestre da draga, várias quebras de mangotes e até falta de combustível.  Se nas obras realizadas na água havia complicações, em terra não era diferente, com problemas para contenção do aterro nos limites de interesse do projeto. Foram necessárias máquinas rodoviárias e escavadeiras hidráulicas para a construção de diques provisórios no decorrer da dragagem para evitar que o aterro voltasse para dentro do ancoradouro.

BARRA LIMPA

Mesmo assim a segunda etapa do aterro foi concluída em 1972, abrindo espaço para a construção da Escola de Vela Barra Limpo, inaugurado em 13 de dezembro de 1975. Em 1977 estava concluído o atual projeto, com os espaços para o ancoradouro à direita protegidos do vento sul a partir da formação da Ilha dos Jangadeiros.

Com a nova área conquistada, a falta de espaço deixou de ser um problema para o clube. Foi quando o Comodoro Geraldo Linck veio com a seguinte pergunta: o que vamos fazer na ilha? E a resposta não demorou: Chaguinha apresentou o desenho do Plano Piloto da Ilha e o antigo sonho do patrono Leolpodo Geyer se tornava uma realidade.

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Nas palavras de Geraldo Linck, no livro Clube dos Jangadeiros – Uma História de 50 anos, “acredito hoje mais do que antes que o associado não tem ideia da grandiosidade da obra que está usufruindo”.  Ao encerrar o capítulo Uma Ilha no Rio, Linck destacou a participação do engenheiro Cláudio Aydos, Edmundo Soares, Kurt Keller, Edgar Sigmann e Luiz Chagas (Chaguinha) como os alicerces desta que foi a construção de uma ilha em pleno Rio Guaíba. Além destas lideranças é bem verdade que inúmeras pessoas, associados ou não, tiveram participação direta neste grandioso projeto, que somou cerca de 20 anos entre o desejo de fazer e sua efetiva conclusão.

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Embora não exista uma data oficial de sua inauguração, dois momentos se destacam com o final de suas obras: o primeiro foi a abertura da Escola de Vela, que levou o apelido do velejador e campeão brasileiro da classe Pinguin, Walter Hunshe – o Barra Limpa. Ele faleceu em um acidente de trânsito e seus pais fizeram a doação do projeto e execução das obras da escola em homenagem à sua memória e pela dedicação que tinha pelo esporte.  O segundo momento histórico, que se tornou o marco de sua inauguração, foi em 1981, quando já havia maior infra-estrutura física e paisagística, além do asfalto em suas vias de acesso para o tráfego de veículos.